O Dia e a Noite, O Sol e a Lua

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O Dia se sentia muito solitário e, embora tudo acontecesse sob sua luz, nada o alegrava mais.
Ele ia embora sem nunca olhar para traz em sua rotina diária. Sequer sabia o que acontecia e quem o substituia na vida das criaturas por ele e o Sol iluminadas.
O Criador, por motivos dele, em algumas épocas dava ao dia menos horas para compensar as épocas em que o dia precisava durar mais tempo.
Ocorreu que, sem bem saber porque, o dia olhou para traz para ver quem o substituiria. Qual não foi seu espanto ao ver que uma escuridão esmagadora o seguia.
Apressou o passo sem saber porque e aquele dia foi o mais curto de que se teve notícia.
Cansado de fugir, o Dia parou e resolveu encarar a escuridão que parou também a uma distancia segura, foi a mais longa noite.
O dia intrigado com a atitude da escuridão, resolveu voltar. Descobriu que não poderia.
Que mecanismo era aquele que não o deixava retroceder?
Tentou, tentou e tentou até desistir.
Uma voz se fez ouvir acima de tudo, até pensamentos pararam ao ouvi-la:
- O Dia e a Noite devem seguir seu curso sem jamais se tocarem para que toda a criação funcione, cada qual no seu período!
Noite. Então era aquele o nome de quem vinha quando ele ia, pensou o dia enquanto seguia em frente sem ousar contrariar a voz.
Depois de um tempo de meditação e desconforto, o Dia fez um pedido ao Sol, seu olho e farol da criação:
- Meu amigo e fiel escudeiro, será que voce poderia me fazer um favor pessoal?
O Sol ainda mais brilhante prontamente disse sim.
- Sabe, quando me vou e te levo comigo, vem a Noite com sua total escuridão. Eu fiquei morto de curiosidade em saber como é a Noite e o que acontece com a criação quando ela chega mas não posso voltar. Preciso que voce de uma espiadinha e me conte o que acontece, nem que seja só um minutinho.
O Sol pensou, pensou e pensou.
- Está bem, só uma espiadinha, pois, além de ser seu escudeiro, tenho minhas ordens superiores e não devo contrariá-las.
O Dia era pura excitação e expectativa, não via a hora de ir embora para que o sol pudesse dar uma espiadinha e lhe contasse tudo. Mesmo sabendo que levaria uma bronca, foi embora um pouco mais cedo.
A Noite veio, e com ela a escuridão. O Sol, atendendo ao pedido do Dia, rasgou o veu do ceu noturno, clareando tudo e causando um rebuliço medonho na criação. Foi o primeiro eclipse lunar.
Assustado, o Sol rapidamente fechou o rasgo e fugiu para a companhia de seu mestre, o Dia.
Nada precisou dizer, o dia havia visto tudo e fora advertido pelo Criador para que não se repetisse.
O Dia obedeceu e jamais pediria ao Sol para repetir o ato. Ocorre que o Sol viu a Lua, escudeira da Noite, e se apaixonou por ela. Ela também se apaixonou por ele.
Dia e Noite não sabiam o que fazer. Consultaram o Criador e ele, em sua infinita bondade, mesmo sabendo que noite e dia não poderiam coexistir, permitiu a Noite que, durante um período do ano, fosse e deixasse a Lua no ceu por um tempo a mais para que estivesse junto ao seu amado Sol.
Para que Dia e Noite pudessem conversar por instantes, o Criador também permitiu que, de tempos em tempos por Ele determinados, houvessem eclipses lunares e solares, além de criar o entardecer e o amanhecer onde Dia e Noite se tocam antes de trocarem de lugar.

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Caminho das Rochas

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Ele sabia o futuro desde que aceitou o que teria que fazer. Essa era sua maior tortura.
Trabalhava arduamente no que devia fazer enquanto convivia com o que viria.
Tinha poucos amigos apesar de andar com muita gente.
Seus recursos financeiros praticamente não existiam. Tinha que andar e muito para ir aos lugares onde aprenderia e ensinaria.
Desde seu nascimento tudo era difícil, sua mãe foi guerreira sem igual e o pai enfrentou muito preconceito e zombaria.
Vida cheia de percalços e testes, quase nenhum amparo social, não estudou nas escolas que eram muito poucas e para poucos.
Seu tormento interno a ninguém podia revelar, preferia falar do amor de Deus em todas as situações, talvez esse fosse um fator para que tivesse poucos amigos. Deus tinha muitas regras e poucas coisas de liberdade...
Ele seguiu escolhendo a dedo quem seria louco de acompanhá-lo no sonho de provar que Deus queria e quer todos os homens iguais como os criou.
Criou um sistema no qual todos teriam o suficiente para suas necessidades, nem muito nem pouco, o suficiente. Queria todos preocupados com todos e com muito tempo para estarem juntos e felizes sem esquecer de agradecer a Deus.
Em seu sistema não havia nem haveria chefes ou comandados, patrões ou empregados, donos de mansões nem moradores de rua.
A comida era produzida por todos e comida por todos, assim sobraria mais tempo para o que seria mais importante que tudo; estarem juntos e rindo das dificuldades.
Seu peito foi ficando cada vez mais oprimido quando foi chegando o tempo de sua morte. Ele sabia exatamente como e quando morreria, o que o consolava era sentir que estava cumprindo o combinado com Deus.
Os poderosos queriam seu fim. Os religiosos queriam seu fim. Gente que nem o conhecia queria seu fim...
Ele, apesar de saber o desfecho de sua história, jamais disse qualquer coisa aos outros que mostrasse revolta, até aceitou o beijo de quem o traiu.
Quando desespero o atingiu, procurou um lugar onde ninguém o seguiria e se isolou para meditar. Chorou, sorriu, suou, teve fome, sede, ouviu sussurros que o tentaram a chutar tudo e desfrutar a vida sem se preocupar em cumprir a sina que estava escrita para ele.
Voltou ainda mais determinado, nada o desviaria do caminho que sabia seria doloroso mas necessário.
Reuniu seus escolhidos como amigos e aprendizes de seus ensinamentos que tanto contrariavam os religiosos e poderosos, repartiu a comida e a bebida pedindo que fizessem sempre dessa forma em sua homenagem. Falou aos corações daqueles homens e disse que o pai os amava como eram e que um deles seria a pedra fundamental da sua igreja embora fosse por três vezes negar ser seu amigo, perdoou de antemão ao traidor que comia em sua mesa e também disse que voltaria e eles o veriam.
Falou que eles deveriam espalhar ao mundo o que viram e viveram ao seu lado e que, no futuro creriam muito mais na sua mensagem do que naquele tempo em que caminhou entre eles.
Foi preso, torturado, humilhado e crucificado. Ninguém teve coragem de lutar por aquele que estava morrendo por todos, inclusive os que o odiaram.
Chorou, teve sede e fraquejou, pediu a Deus que, se possível, aquele cálice fosse afastado de si. Era muita dor pra um único ser...
Seu corpo e espírito sofriam o indizível.
Pediu ao Pai que se cumprisse a vontade Dele e assim foi. Morreu para ressuscitar e continuar entre nós para sempre.
Venceu mesmo parecendo ter perdido porque seguiu em frente confiando cegamente em Deus a despeito de tudo que viu e sentiu enquanto caminhava entre nós na carne.
Serão seus problemas, espinhos e sofrimentos maiores que os de Jesus Cristo?
Será que sua cruz é maior e mais pesada que a dele?
Será que Deus te abandonou e não te ouve?
Teria Deus abandonado Jesus?
Pare de achar que seus problemas são maiores do que são, siga em frente e deixe de ficar achando que você é o centro do universo.
O que você não pode e não deve fazer é ficar com pena de si mesmo e culpando Deus ou o mundo pelas situações que você procurou.
Sim, o verdadeiro culpado pelo seu sofrimento ou alegrias é somente você.
Deus te fez livre e capaz de tudo que desejar, tanto para o bem como para o mal.
Tudo e todos interagem na sua vida, mas quem comanda é você!

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Um dos Caminhos

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Eles se conheceram em um barzinho com música ao vivo.
Veio a vontade de estarem cada vez mais juntos após um período em que se conversaram e foram se conhecendo mais.
Não houve nenhum beijo, carícias ou qualquer toque mais prolongado, apenas era maravilhoso conversarem e beberem juntos. Os assuntos eram os mais comuns; filmes, noticiário, livros e experiencias que cada um tinha. Ele tinha 30 anos e ela 16.
Em uma noite ela exagerou na bebida e, por estar com uma saia muito curta, deixou ver mais do que faria se sóbria estivesse. Ele viu e aquilo mexeu muito com seus instintos. Foi necessário todo autocontrole para não ultrapassar os limites que haviam entre eles sem que tivessem combinado.
Ela se mostrava totalmente disponível. Ele procurava desviar o olhar e as intenções...
Quando ela se inclinou para lhe dar um beijo no rosto após uma frase qualquer ele pode ver parte dos belos e pequenos seios dela. O controle ficou ainda mais difícil.
Inventando um compromisso que não existia ele disse que precisava ir. Ela, com os braços em seu pescoço, pediu para dançarem uma música. Ele tentou resistir, precisava ficar longe daquele corpo que até então não despertara seus desejos. Adorava sua companhia mas, até então não a via como mulher e sim como uma pessoa muito boa de se ter por perto.
Cedeu e dançou com ela com a grande maioria das pessoas os olhando com emoções diversas. A maioria achando errado pois a diferença de idade era visível e estavam muito colados durante a dança.
Ele queria fugir dali de qualquer jeito e a chamou para ir pra fora. Ela aceitou e, abraçando-o bem forte, saiu agarrada a ele como se temesse que evaporasse de seus braços.
Deixaram o bar com a maioria dos olhares em suas costas. Caminharam até o ponto de ônibus, com ela cada vez mais colada no corpo dele e ele cada vez mais preocupado em se controlar. Dizia a si mesmo que era a bebida que estava comandando as atitudes dela e os pensamentos e desejos dele.
O ônibus dela veio primeiro, ela sequer fez menção de entrar, embora ele desse sinal e o veículo parasse. Quando veio o dele ela não o deixou entrar. Já era tarde e ficaria perigoso estarem ali, ele tentou argumentar ao que ela rebateu dizendo que estarem juntos era mais importante que tudo.
Ela tentou beijá-lo nos lábios, ele fugiu. Ela abraçada a ele, juntou mais ainda seus quadris, sentindo a excitação que ele já não podia mais esconder ou resistir.
Ofegante ele a beijou como nunca havia beijado alguém, suas mãos acariciando o corpo dela com sofreguidão. A eletricidade entre os dois iluminaria uma cidade inteira tamanha era a intensidade.
Havia um prédio em construção próximo ao ponto de ônibus e foi lá que fizeram amor até saciarem seus corpos cada vez mais sedentos um do outro. Ela com restos de sangue ainda nas pernas, ele com todo desejo e culpa do mundo, pegaram um táxi e foram para um hotel. Após três dias sem verem a luz do sol e mal se alimentarem, decidiram que era hora de sair dos braços um do outro.
Ele a deixou em casa e seguiu rumo a sua após longo e apaixonado beijo.
Os pais da menina o acusaram de pedofilia e abuso sexual de menor.
Ela protestou, chorou e ele foi preso.
Na cadeia ele foi agredido até a morte pelos outros detentos que, devido a uma gorda propina oferecida pelo pai da menina, foram informados pelo carcereiro tratar-se de um maníaco sexual.
Ela abandonou a casa dos pais e foi morar nas ruas, buscando a morte sem coragem de cometer suicídio. Passou a usar drogas, beber até perder a consciência, sofreu todo tipo de abuso e cometeu vários pequenos delitos.
Sonhava todo dia em estar nos braços daquele que não deixava de amar mesmo estando morto. Ele podia ter morrido para todos, não para ela. Queria matar os pais mas não tinha coragem, queria morrer mas não conseguia...
Um dia, não tendo onde dormir, decidiu ficar em uma igreja. Por volta de três horas da manhã acordou com uma luz intensamente azul e viu dentro dela um vulto. Julgou ser seu amado que vinha buscá-la e se aproximou dela. Um homem de mais ou menos 30 anos com barba até o peito e totalmente vestido de linho branco sorriu para ela, que não conseguia se mexer.
Aquele sorriso fez instantaneamente pararem suas dores, até a fome passou...
A voz não saia da boca, parecia sair de sua imaginação:
- Seu sofrimento termina hoje! Preciso de você, filha do meu amor!
Ela não conseguia falar. Como poderia portador de tanta paz, amor, caridade e tudo que há de bom precisar dela, se só o seu sorriso lhe dava vontade de viver?
Ele, como que ouvindo seus pensamentos, respondeu:
- Preciso de você, filha do meu amor, para contar aos que já esqueceram de que os amo e pedir novamente que amem aos outros como a si mesmos e a Deus sobre todas as outras coisas. São esses os pedidos e as leis que pedi que seguissem antes de me crucificarem mas a maioria já me esqueceu para seguirem outros homens que os escravizam usando a mensagem que deixei.
- Filha do meu amor, seu sofrimento chegou a mim como uma oração verdadeira e estou aqui.
- Suas lágrimas prepararam um caminho de luz que muitos poderão percorrer se você permitir.
Ela, aos prantos, disse:
- Você deve estar enganado. Existem tantas mulheres nas igrejas orando todos os dias, por que eu, que nem lembro de rezar?
- O amor verdadeiro é a maior chave para abrir as portas do céu e você o tem dentro de si. Isso já me bastaria, mas você é uma das minhas escolhidas. Eu não escolho os preparados, preparo os escolhidos.
O sorriso veio dos lábios dele de novo e a luz a banhou por inteiro.
Ela acordou pela manhã com o padre olhando para seu rosto com fisionomia brava e, ao mesmo tempo acolhedora.
Até sua morte ela se dedicou a espalhar o amor que havia recebido e que se multiplicava cada vez mais. Perdoou os pais, os assassinos de seu amado e todos os que dela abusaram e, em paz, viveu para os outros até voltar ao Criador de tudo e de todos. 

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Vitória Verdadeira

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015


Há em nós seres humanos uma programação que nos impele na direção de algo que muitas vezes não sabemos o que é. Quando algo vem sem muito esforço, tendemos a achar que aquilo não é tão bom assim devido a acreditarmos que tudo deve ser fruto de muito esforço.
Ora, o céu e o inferno colaboram sempre com o ser humano, cada um por seus motivos. O inferno pra criar dependência, o céu para dar felicidade. Sim, todos nascemos para sermos felizes. Nos tornamos fúteis ou dependentes do que os meios de comunicação determinam a serviço do inferno por opção.
Será que todos deveriam ser milionários, bonitos, cultos e etc... para serem felizes?
- Claro que sim! nos diria a grande maioria.
Cada um está exatamente onde deveria para aprender e ensinar. Não quero com isso dizer que você deva estacionar. A caminhada deve ser sempre pra frente em direção da vitória.
A vitória é que é algo diferente para cada um. Busque ser o mais dedicado possível em qualquer que seja a profissão escolhida, mas, antes de tudo, trabalhe no que gosta.
Ame as pessoas do jeito que gostaria que te amassem e nunca espere nada delas. Isso faz a diferença pois quem nada espera se contenta com pouco e de pouco em pouco muito terá.
Seu status morre com você, seu exemplo dura muito mais.
Há os que precisam de muito para aprender e há os que com muito menos são ótimos alunos e professores. Pense na ironia da coisa. Um homem rico geralmente depende de muitos homens pobres para viver, já o homem pobre vive na maioria das vezes muito mais feliz sem depender de tantas pessoas. Se o dinheiro do homem rico acabar será que ele conseguiria viver?
Os sonhos e o conhecimento aliados a fé fazem com que sigamos em frente mesmo contra todas as expectativas.
No mundo capitalista você pode literalmente sair do nada e se tornar rico e poderoso.
Você pode também escolher ser sábio. Sabedoria é algo que independe de dinheiro, ao contrário, muitas vezes te afasta de ter dinheiro. Sabedoria alcançada e reconhecida torna a pessoa absolutamente necessária a todos. Os ricos precisam do sábio, os pobres, os letrados, os homens e as mulheres inevitavelmente precisam em algum ou a todo momento dos seus conselhos e conhecimentos.
Sabedoria é a única coisa que, quando alcançada, ninguém pode tirar de você. O seu saber é exclusivamente seu, por mais que você divida ou ensine é seu e se multiplica na medida em que você o compartilha.
Ao dividir conhecimento, ele aumenta cada vez mais porque com as dúvidas de quem está aprendendo, quem ensina se obriga a por em prática o que aprendeu.
Não há pobres ou ricos no conhecimento, todos precisam dividir para multiplicar.
Use a oportunidade chamada vida para adquirir o verdadeiro tesouro chamado sabedoria e o resto vem. Exatamente na proporção necessária para o grau de aprendizado que você estiver.
Supere a você mesmo sempre. Competir com os outros te dá vitórias passageiras, ultrapassar seus limites te dá vitórias realmente duradouras.
Lembre-se, você está exatamente onde deveria estar para aprender as lições de hoje.
As de amanhã são outra história. Sua história.

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Quando você chora


Ai você chora.
Simplesmente chora...
O otimista dirá que você chora de felicidade.
O saudosista dirá que é de saudade.
O derrotista dirá que é porque você algo perdeu...
O inseguro dirá que é porque você tem uma dúvida cruel.
O rico dirá que é porque as ações da empresa caíram,
O pobre dirá que foram os alimentos que acabaram.
O palhaço se sente incompetente...
O inimigo fica um tanto mais contente.
Alguém quer te consolar,
Outro também se põe a chorar.
As fofoqueiras querem saber o ocorrido
Para passar de ouvido a ouvido.
O céu te entende,
O inferno te ofende...
As lágrimas tem esse poder,
De todos ao redor de alguma forma envolver.
Um ou outro vai te perguntar
O que te faz chorar.
Todos sem saber o porque vão tentar te consolar
E tudo o que você queria era chorar
Apenas chorar...

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