o quarto

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A espera sufocava seu peito.
Ele viria com certeza, disso estava consciente, o problema era a espera...
Cada minuto parecia uma vida passando de forma lenta e angustiante. A cada passo ouvido no corredor do apartamento onde dividiam horas de puro desejo e carícias acelerava seu apertado coração.
Todas as pessoas chegavam e ele não vinha. Já eram 11:30 e nada.
O telefone estava ao seu alcance mas não podia ligar pois ele poderia estar com ela...
O amor bandido que viviam era maravilhoso e cheio de angustias.
O prazer e a culpa andavam juntos. O peito ardendo em desejos e a mente acusando as culpas de um amor dividido.
Queria poder sair ilesa da relação, sumir da vida dele ou nunca ter estado nela. O desejo sempre vencendo e o fim da relação cada vez mais distante.
Novos passos, a maçaneta da porta girando, o coração junto num misto de medo e desejo. O sorriso dele naquele momento justificou tudo, a demora, a incerteza e a culpa deram lugar ao bem que sua presença lhe trazia. Um segundo depois estavam rolando nos braços um do outro fazendo amor como se nada mais importasse.
O suor escorrendo pela pele dele era como um conjunto de rios que a levavam a mares de puro prazer quando seus corpos mais uma vez viravam um.
Nada poderia ser mais importante que viver estes momentos. Poderia morrer no instante seguinte e teria valido a pena...
O celular dele tocou e a realidade atingiu seu mundo perfeito. Era ela, a esposa, do outro lado da linha cobrando o horário e os deveres conjugais.
Sem poder ocultar as lágrimas, o viu vestindo as roupas de forma apressada pra mais uma vez ir embora dos seus braços.
Outra noite de insônia em companhia da incerteza e da culpa.
O novo dia chegaria e tudo recomeçaria...

2 comentários:

luzdeluma 14 de novembro de 2008 11:49  

Que sofrível!! Quando é assim, melhor partir pra outra!! Quem ama não faz sofrer! Beijus

jaime 17 de novembro de 2008 18:05  

não há sofrimento no amor, só aceitação ou não. mais vale ter pouco quando se ama do que muito sem ele.

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