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terça-feira, 10 de novembro de 2009

uniban e as pernas

A uniban(em minusculas mesmo) perdeu uma grande chance de fazer uma coisa ruim virar um grande exemplo.
Se a aluna exibiu-se demasiadamente ou não é detalhe. Devemos presumir que formadores de cidadãos devam entender ao menos de direitos humanos.
Garotos e garotas infantis em fase de formação se deixam levar como gado em situações coletivas. Diretores, Professores e funcionários devem refletir o que ensinam, serem fiéis depositários do conhecimento, da defesa da liberdade de expressão e das garantias fundamentais dos cidadãos em suas dependências.
Expulsar a garota não contribui em nada para resolver o caso. Penso que as crianças levadas também devem estar arrependidas do feito.
A uniban conseguiu não só manchar a própria imagem como também a do País mais um pouco. Agora não somos só o País da Violência nas grandes capitais, somos também o país da intolerância e das punições às minorias. Parabéns uniban!
Penso que é melhor evitar este tipo de mentalidade medieval...
Quem errou?
Penso que todos erraram, principalmente a uniban que deveria reunir todos no pátio e dar uma lição de civilidade e convivência, tanto aos meninos e meninas preconceituosos quanto a loira que mostrou as pernas, que são bem legais.
Tomara que seja tudo resolvido de forma civilizada.

Comente, ou não! Você é livre.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O medonho bicho da pera


Enquanto comia uma deliciosa pera, algo chamou minha atenção e parei para raciocinar.
O bichinho que quase engoli estava ali para ensinar algumas coisas penso eu.
Sua cor, quase a mesma da polpa da fruta, o torna quase invisível.
Qual seria o gosto do bichinho?
Deveria eu experimentar ou não?
Desnorteado pelas minhas dúvidas ele se contorcia, parte do corpo para dentro, parte para fora da fruta. Inocente, e ao mesmo tempo culpado, sequer tinha noção de que poderia ter sido partido em dois por dentes gigantes, os meus.
Inocente por estar matando a fome e culpado por ter escolhido a mesma pera que eu.
Primeiro impulso foi de jogar a pera fora. O segundo foi de comer em volta de olho para não comer o bicho ou algum convidado dele para o banquete na minha pera. Ou seria a pera dele pois ao que tudo indica ele já estava lá antes de minha resolução de devorar a fruta.
Olhei de novo para o invasor e pensei que deveria matá-lo como vingança por estar na minha deliciosa pera. Se tinha olhos não sei, não dava pra ver, mas parecia me olhar em tom de desafio.
Parei para pensar no quanto as pessoas se preocupam com regimes e outras formas de manter o corpo em dia. Imagine um bichinho de frutas fazendo regime...
Eles são quase invisíveis e comem uma fruta muitas vezes maior que eles. Pense por um instante um ser humano comendo uma fruta infinitamente maior que ele.
Aliás, você já parou para pensar que quando você morrer, larvas e outros bichinhos irão devorar seu tão preservado corpo?
Seu corpo nesse momento está repleto de bichinhos que comem junto com você, bebem junto com você, dormem com você e até fazem sexo junto com você.
Alguns deles são tão perigosos que podem até te matar, outros só estão esperando para te devorar...
Bateu um medo do bichinho da fruta, e se ele estivesse conversando com outros bichinhos dentro e fora do meu corpo dando a fatidica ordem de ataque?
Como poderia me defender, se não posso ver a maioria deles?
Será que ele é amigo do vírus da Gripe Suína?
Melhor não arriscar, deixei com todo cuidado o resto da fruta e o bichinho no lixo.
Estou agora olhando detidamente para uma linda e suculenta maçã cheio de dúvidas e temores.
Comer ou não, eis a questão.
Quer saber, vou comer sem olhar se tem bichinhos ou não...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O transito e Eu


Outro lindo dia de sol.
Lá vou eu, cheio de sono, para mais um dia de trabalho. Ouço no rádio que o transito é de apenas 60 Kms em São Paulo. Talvez em duas horas eu consiga chegar...
Começo bem, já de cara um infeliz entra na frente do carro com uma droga de moto e, por pouco, não estraga meu dia tendo que socorrê-lo.
Motoboy é o cão, quando não estão buzinando, estão caidos na pista, atrapalhando ainda mais o transito.
A vaca do carro da frente está se maquiando e não viu que o carro da frente andou, buzina nela.
Ops, passei o sinal vermelho, ainda bem que o guarda estava socorrendo um motoqueiro caído, valeu motoboy.
Um imbecil acaba de me dar uma fechada. Depois de amaldiçoar toda sua árvore genealógica, sigo em frente. Quase isso, parou tudo de novo. Ainda bem que os vidros estavam fechados e ele não entendeu.
Acabei de dizer um não pra mais um dos duzentos pedintes que encostam no carro nos faróis. Gostaria de poder acabar com a pobreza...
Tem um idiota olhando pra mim no carro do lado. Seria uma bichinha ou tá querendo roubar?
Novo recorde, consegui andar cem metros em apenas vinte minutos, se eu contar lá no serviço, irão dizer que estou mentindo...
O prefeito ainda quer colocar pedágio urbano, ora vá pra p... que pariu.
Uma batida acabou de vez com minhas chances de chegar no horário. Motorista de lotação e caminhão são uma merda, vivem ferrando todo mundo...
Tem uma gostosa do outro lado da rua, buzina pra ela. Nem olhou pra mim, deve ser "sapata".
Uma hora e trinta minutos depois, ouvindo no rádio o que estou vendo, a fúria vai aumentando. Nunca vou chegar no horário...
Farol quebrado, buraco na rua, imbecis deixando o carro morrer, ônibus na pista do meio e tantas outras coisas se somam e o relógio não para. Outro dia joguei um pela janela "só de raiva".
Duas horas depois ainda não cheguei e a coisa tá ficando feia. Só pra judiar o intestino tá avisando que vai dar merda...
Finalmente chego, tem sempre um idiota fazendo piadinhas do tipo "Antes atrasado pra caramba do que faltar"...
Finalmente o banheiro. Já em paz, eu diria totalmente Zen, posso começar o dia de trabalho. Claro que, por ter chegado trinta minutos depois do horário, o chefe vai descontar o domingo...
Tô cheio de sono e cansado mas feliz por ter chegado ao trabalho e, mais ainda por estar empregado.
Momentos de tensão, tá chegando a hora de ir embora e mais duas horas e sei lá quantos minutos estão esperando por mim...
Tomara que não chova, quando isso acontece a coisa tende a ficar pior.
Chego em casa e a mulher diz que tá cansada. Dá vontade de enchê-la de "porrada"...


Jaime

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

metamorfose

Cena infelizmente comum nos nossos tempos, um homem ensangüentado na calçada, sua carteira jogada ao seu lado. Tudo lá, exceto o dinheiro.
O assassino, provavelmente um garoto faminto desses que a gente vê toda hora mendigando o pão ou cheirando cola. Como eu disse algo cada vez mais comum em nossos conturbados dias.
O que torna nossa cena diferente? O homem morto não era qualquer um. Era um grande amigo das crianças abandonadas à própria sorte em um lugar qualquer da vida.
O que chorava ao seu lado nada mais era do que um conhecido chefe de gangues de garotos que fazem da rua sua casa. Chorava copiosamente maldizendo a sorte que mais uma vez lhe tirava algo precioso que a vida lhe dera, mais uma vez tornava-se órfão quem sequer soube quem foram seus Pais.
Quem o teria morto? Quem poderia matar alguém que lutava para dar um pouco de direitos humanos a quem nem direito a um lar possuía?
Jota X, esse era o nome do nosso quase maior abandonado, não se conformava com as ciladas que a vida lhe preparara. Sem lar, sem amigos em quem pudesse confiar, sem comida, sem droga para "cheirar", fumar ou injetar; tudo isso era perversidade da vida que ele poderia suportar. Contudo, aquela morte foi o derradeiro passaporte para o inferno. Sua derradeira chance de viver de uma forma melhor morreu com seu protetor.
Se existissem balas em sua arma seria fácil resolver o problema, afinal, um tiro na própria cabeça resolveria, pelo menos nesta vida, seus problemas.
Chegaram os policiais, novo inferno. Começaram por algemá-lo e, aos empurrões, foi jogado em uma viatura e encaminhado a um distrito policial, onde, após um monte de perguntas acompanhadas de pancadas, acabou assumindo a autoria da morte de seu protetor. Tudo era mais fácil assim, caso encerrado para as autoridades.
Jota X nem tentou argumentar ou lutar, seria muito pior. Sabia o que o aguardava na prisão e não queria tornar as coisas piores. Pouco lhe importava qual prisão seria, era só outro setor do inferno.
Nem melhor nem pior do que as Ruas, só uma questão de adaptação. Afinal, ele já fora muito bem treinado para suportar todo tipo de perda na vida.
Seu companheiro de cela era bem maior e bem mais forte que ele, sinal de mais problemas. Na certa tentaria abusar sexualmente dele, utilizá-lo como "saco de pancadas" ou as duas coisas. Quem sabe não fosse seu dia de sorte e, na briga que por certo viria, o adversário o matasse.
As horas passavam e nada acontecia. Seria um psicopata, uma bichinha ou um tarado seu colega de cela?
Era barbudo, alto, forte e muito calado, calado demais para o gosto de Jota. Isso era muito mais assustador. Gente calada é sempre mais perigosa. Não dá pra saber o que acontecerá em seguida. Teria que redobrar sua atenção.
Seus olhares se cruzaram. Meu Deus, o que há nos olhos desse homem?
Ele olha como se enxergasse minha alma! Foram os primeiros pensamentos de Jota ao encarar nos olhos o homem à sua frente, que permanecia num mutismo impróprio da cadeia.
E aí, tudo na moral? Disse, tentando não mostrar insegurança na voz e, ao mesmo tempo, buscando começar uma conversa.
Aqueles olhos penetraram ainda mais fundo em sua jovem e sofrida alma. Era impossível desviar a atenção daquele olhar que ia tão fundo em seu ser. Finalmente as primeiras palavras:
- A sua dor não é maior do que a dos que te abandonaram. O sofrimento da carne termina com ela, o do espírito sobrevive à morte. Perdoa seus pais e seus inimigos, pois seu sofrimento terminará com sua vida. O deles durará muito mais, pois vem acompanhado do arrependimento de ter voltado as costas para você e para mim.
Seu futuro é o dos escolhidos, seu passado deve ser esquecido. Seu amor deverá florescer e transformar-se nos mais belos livros que o mundo já leu.
Lágrimas incontroláveis banharam a face de Jota e as palavras não saiam. Adormeceu em seguida, sendo vigiado por aquele par de olhos.
Ao acordar, sentiu tanta vontade de escrever que nem deu pela falta de seu companheiro de cela. Jota X é hoje um grande escritor, aclamado em vários países por suas mensagens de amor e ajuda ao próximo.
Jamais tornou a ver seu companheiro de cela, que segundo o guarda, nunca esteve lá.

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