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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Paixão

O corpo estava  lá, a poucos metros de onde haviam discutido pela ultima vez. A rigidez cadavérica já se manifestava. Da cama onde estava deitada podia vê-lo e rememorar todos os momentos finais de tantas e tantas brigas e ofensas mútuas.
No passado a paixão avassaladora, no presente um corpo já sem vida e jogado no local do desfecho de tantas e violentas desavenças.
Quem estaria certo ou errado não tinha mais importância. Só existiria um deles vivo, o outro só lembranças.
Lembrou dos beijos, carícias e prazeres divididos entre a culpa e o prazer. Antes de serem um casal, foram amantes. Ela deixou filhos e marido e se rendeu às vontades do amante que a levava a multiplos e maravilhosos orgasmos. A quimica falou mais alto que qualquer conselho ou sentimento de pudor.
O marido e filhos jamais a perdoaram e pouco importava o que sentiam, sua felicidade estava acima de tudo e todos.
Foi um período curto de felicidade, logo substituído pelo ciume e agressões inicialmente verbais, depois físicas até culminar com o desfecho trágico.
Olhou no espelho e viu um rosto marcado pela culpa e golpes recebidos durante o embate onde começara como vitima de agressão e terminara como assassina.
A verdade é que ela iniciara a violenta briga. Os ciumes a possuiam cada vez que ele demorava a chegar.
Tinha certeza quase que absoluta de que ele tinha uma ou várias amantes. Por diversas vezes o seguira sem sucesso na confirmação de suas suspeitas.
Quando apos alguns meses, ele deixara de procurá-la sexualmente com a frequencia costumeira a coisa começou a andar em direção ao trágico desfecho. Ela cuidava do corpo como se fosse uma preciosa escultura de carne e osso, academia, lipoaspiração, plástica e tudo que estivesse a seu alcance era feito para manter o corpo perfeito e à disposição do amado.
Nada era mais importante que ele em sua vida.
Não aceitava o cansaço como desculpa para não fazerem amor repetidas vezes, inclusive gripes ou outras doenças não eram motivo para adiar o que  a química pedia. Só de pensar nele, sentia o corpo umedecido e pronto para o sexo.
A coisa começou a ficar violenta quando ele começou a recusar com maior veemencia os assédios diários dela.
Numa noite já perdida na lembrança, ele foi acordado com ela apontando uma arma para seu peito e exigindo saber onde ele tinha deixado o tesão. A ira tomou conta do rapaz, que a agrediu violentamente após ter tirado a arma de suas mãos.
Sucessivas brigas e agressões acompanhadas de reconciliações pra lá de picantes viraram rotina para o casal.
Com o tempo, até a s brigas perderam o interesse por parte dele.
A loucura se instalou na mente dela, que cada vez mais achava motivos para justificar a morte do companheiro cada vez mais distante embora morando no mesmo teto.
Se não fosse dela com certeza não seria de mais ninguém.
O plano começou a tomar forma em sua perturbada mente, ele morreria e ela teria de volta sua sanidade e liberdade de escolhas. Com ele vivo, tudo giraria ao redor dele. Sem a presença dele tudo seria normal outra vez, ou não. Importava para ela ficar livre da opressão mental a que era submetida todos os dias.
Como que seguindo orientação de outrem, preparou tudo para dar fim à vida do companheiro.
Sem saber se teria coragem de levar a termo, preparou tudo para dar um fim ao tormento mental.
Ele parece que resolveu ajudar a aumentar o ódio do momento chegando quase 3 horas depois do horário habitual e com cheiro de bebida. Falou que queria dar um fim na relação e que ela deveria procurar ajuda profissional. Um tapa no rosto do homem amado desencadeou a violência.
Ele, aturdido pela força do tapa, reagiu com um soco no rosto dela, derrubando-a quase desacordada. Ato continuo, vendo que ela não se mexia, buscou reanimá-la temendo ter exagerado. O local atingido sangrava um pouco e um grande edema começava a tomar forma em seu rosto.
Deitou-a na cama, foi buscar gelo para o inchaço e um pano para limpar o sangue que escorria. quando voltou a encontrou com dois copos de bebida nas mãos e lágrimas nos olhos.
Ela disse concordar em buscar ajuda médica e que ficaria afastada dele por um tempo para ajudar a decidir que rumo daria à própria vida. Aquele seria talvez o ultimo drink juntos antes do tratamento.
Ele a limpou, tratou da ferida e pediu desculpas pela agressão, ela fez o mesmo pedido a ele.
Beberam e foram dormir, ela no quarto, ele no sofá. Por volta das 3 horas da madrugada, ela o procurou sem roupa e cheia de desejos. Inicialmente ele recusou mas a quimica falou mais alto e fizeram amor como nunca haviam feito. Vencidos pelo cansaço, dormiram de novo.
A cama oprimia sua dona, sentada ela olhava o corpo, objeto de suas paixões, dormindo ao seu lado.
Foi à cozinha, tomou um refrigerante e, ao virar-se para ir ao banheiro, ouviu a voz do amado sonhando. Tomada pela curiosidade, voltou ao quarto a tempo de ouvir o nome de outra mulher nos lábios que percorreram seu corpo e lábios horas antes. Todos os demonios do inferno gritaram ao mesmo tempo em sua cabeça, exigindo sangue para pagar a afronta. Voltou à cozinha tomada pelo choro e com ódio de tudo e todos pegou uma faca e voltou ao quarto do casal.
Quando saiu do transe, estava deitada na cama do casal, cujo lençol estava empapado com o sangue dele.
O corpo que lhe dera tanto prazer e preocupações jazia no chão perfurado por incontáveis facadas. Todo o quarto estava marcado pelo sangue dele.
Sentou na cama, ligou para o ex-marido, pediu perdão a ele e aos filhos e, tomando veneno com uisque, esperou a morte com a cabeça do amado no colo e olhos fechados e serenidade no semblante.

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sábado, 9 de fevereiro de 2008

Cíume

Era tarde para fugir, ele bem o sabia. Os dois corpos jaziam inertes no quintal para atestar sua convicção.
Fazia algum tempo que suspeitava ser traído por ela. Inicialmente não quisera acreditar, mas suas atitudes eram cada vez mais suspeitas, um sorriso distante, nenhuma preocupação com os horários de chegada dele no lar de ambos e muitas outras pequenas coisas que, no início ele não dera a devida importância.
Certa feita, ao chegar em casa mais cedo, a pegou conversando ao telefone sobre posições e modos de praticar sexo, quis ouvir mais pensando ser com alguma amiga que ela conversava, mas, sua palidez ao vê-lo foi reveladora...
--Com quem você estava falando, disse ao vê-la desligar o telefone apressadamente.
--Com, com, com uma amiga, titubeou ela.
--Qual amiga?
--A janta está pronta, disse ela, mudando de assunto.
Tantas foram as vezes em que as atitudes dela lhe causaram desconfiança que o ciúme começou a morar em seu peito no lugar do machismo que antes lhe dizia que ela não encontraria ninguém melhor que ele em sua vida.
Começou a procurá-la sexualmente mais vezes no mês. A proibiu de usar roupas decotadas ou que mostrassem suas belas pernas. Olhava sempre discretamente o conteúdo de suas bolsas e pacotes.
O demônio do ciúme foi tornando-se cada vez maior e mais forte em seu peito, já não dormia direito e a cobria com toda espécie de desconfianças e perguntas. Dera vexame em vários locais públicos em que estiveram juntos por achar que ela estava olhando para alguém.
A coisa foi ficando pior à medida que o tempo passava. Um dia, ele saiu cedo do serviço e a encontrou conversando com um homem no portão de sua casa. Chegou irado e, só não agrediu a ambos por se tratar de seu irmão mais velho que resolvera visitá-los sem aviso. Sentiu vergonha de si mesmo. Gostaria de lhe pedir perdão, mas não o fez.
Tantas foram as outras vezes que ela cansou e quis a separação, pois já não agüentava mais tanta briga e desconfiança. Ele a agrediu violentamente e garantiu que ela só sairia da vida dele morta.
O clima de terror estava instalado definitivamente em suas vidas. Ele saia para trabalhar e a deixava presa em casa. O telefone foi desligado e o contato com familiares de ambos foi cessado. Ela virou prisioneira de seu próprio lar e ainda era obrigada a servi-lo sexualmente de todas as formas que sua imaginação agora doentia inventava.
--Era assim que eles faziam com você, piranha? Dizia entre um tapa e outro durante o coito forçado.
Não vendo como fugir da situação, por várias vezes ela pensou em dar fim à própria vida para fugir, chegou a tentar, mas ele chegou em tempo de estancar o sangue que fluía aos borbotões de suas veias rasgadas na altura dos pulsos.
Após o tratamento improvisado por ele, vieram as pancadas e a certeza de que o inferno seria eterno.
Após um longo período de agressões e confinamento, surgiu uma pequena esperança; os irmãos dele vieram ver porque eles não iam mais às reuniões de família.
Com a sagacidade que a loucura dá, ele os convenceu de que ela estava desequilibrada e ainda mostrou seus pulsos cortados e os hematomas pelo corpo dela para comprovar sua versão de que ele tudo faria para que a mulher amada não fosse internada ou se matasse.
Com pena dele e pressa de pegar o ônibus, nenhum deles deu importância às lágrimas que corriam de seus olhos. Naquela noite ela apanhou muito mais, pois ele achou que ela queria “dar” para seus irmãos. Seus gritos foram sufocados pelo som ligado bem alto. Pior de tudo era ser estuprada depois de apanhar e ser forçada a gemer alto fingindo sentir prazer pra não apanhar mais...
Um dia, depois de muito beber, ele exagerou na surra diária que ela “merecia por ser tão puta”. Dois dentes quebrados e o desmaio proveniente de um soco que prensou sua cabeça contra a parede.
Ele achou que a havia matado. O sangue não parava de jorrar e ela não acordava...
Em desespero, saiu para pedir ajuda de um amigo de confiança, na pressa, esqueceu de fechar as portas e quando voltou com o amigo, não a encontrou...
A vadia havia fugido com algum amante, sua mente doentia ficava lhe dizendo. O amigo, ao ver tanto sangue, quis saber a verdade, pois não acreditou que tinha sido um assalto o que ocorrera naquele lugar. A curiosidade lhe custou a vida, pois para não ser descoberto ele acabou matando o amigo com algumas facadas.
Em sua mente, ela havia fugido e estaria nos braços de seu amante com certeza e não voltaria mais para o lar dos dois.
O primeiro dos policiais que entrou na casa acabou por levar duas facadas e estava prestes a levar mais uma quando os outros entraram no local e ameaçaram atirar caso a faca não fosse jogada bem longe.
Era questão de minutos para começarem os tiros, ele havia ferido um policial e isso não ficaria impune.
Sua mente tentava achar uma saída e em sua mão estava a faca ensangüentada em atitude ameaçadora.
Aqueles imbecis não entendiam que a vítima era ele? Ela o traíra. Ele só a estava castigando por que ela merecia. E, se nunca a pegara em flagrante, ele tinha certeza e isto bastava...
Foi quando, olhando um pouco mais à direita, a viu amparada por um policial e o vizinho que os havia chamado. A vadia estava logo com dois bem ali na sua frente. Isso só poderia ser vingado com a morte bem lenta, lhe dizia a mente doente e, sem pensar em mais nada arremeteu na direção da traidora para exterminá-la e aos seus novos amantes. O primeiro disparo o atingiu na altura do peito e ele foi jogado de costas no chão. Levantou-se sem entender porque não podia lavar sua honra em paz e continuou na direção dela, sendo atingido agora por vários projéteis.
Com o sangue escorrendo de vários buracos pelo corpo e sentindo a vida lhe escapar, balbuciou:
-- Eu te amo, vagabunda! E, com um filete de sangue escorrendo no canto da boca, morreu.

Ps.: este texto eu escrevi há alguns anos, mas a coisa ainda me parece atual.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Piercings Radicais

Forma de expressão, enfeite, rebeldia, loucura.
Várias são as definições dadas a quem usa piercings.
Tão amados quanto odiados eles vieram pra ficar.

Alguns são extremamente radicais.
Eis alguns dos mais diferentes piercings: