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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

454 anos não é pra qualquer um

A cidade que me viu nascer completa hoje, 25/01/2008, mais um aniversário. São 454 anos de trabalho, suor, tristezas e alegrias. fundada por um Padre avançado pra sua época, cresceu e cresce em todas as direções, as boas e as não tão boas. Concreto, poluição, criminalidade em alta, vizinho que não cumprimenta vizinho, garoa, frio, muito trabalho e barulho...
Tudo isso podem falar contra você.
Chance para todos, maior índice de empregos do País, mistura de raças de todos os países e continentes, cultura e lazer de primeiro mundo e muito mais que só quem aqui vive pode avaliar...
Tudo isso podem falar a seu favor.
Seu céu acinzentado pode assustar quem chega pela primeira vez. Seus prédios tão altos, sua correria incessante, seu trânsito caótico e seu ar pesado sufocam quem tá acostumado com a calmaria de lugares menores. Basta te dar uma chance de mostrar seu lado bom que as pessoas não querem mais ir embora de tão acolhedor lugar pra se viver.
Parabéns São Paulo pelos seus 454 bem vividos anos!!!
-- Quer saber??? Eu não consigo ficar muito tempo longe de você, mesmo com todos os seus contrastes!!!
-- TE AMO SÃO PAULO!!!

sábado, 12 de janeiro de 2008

Sampa


“Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruzo a Ipiranga com a avenida São João”
Nas mãos do poeta Caetano Veloso a caneta definiu
O calafrio que percorre a espinha de quem por viver em São Paulo decidiu.
No cruzamento por onde tanta coisa é decidida,
Onde muitos e muitas correm atrás da comida...
Os prédios de cores variadas escondem a beleza e a tragédia
De lutar pelo pão de cada dia.
O medo de partir para o trabalho e não voltar
De não ter tempo nem condições para estudar...
A família distante o destino incerto, no peito aberto
A saudade de casa sangra a cada não ao emprego pretendido.
Os rostos são cheios de pressa de ir pra lá e pra cá sem saber pra onde
Viver assim, como é que pode?
“Narciso acha feio
O que não é espelho”
Novamente a caneta do poeta define com precisão o que sente
Aquele que é acostumado em sua terra a ser tratado como gente
A receber e dar bom – dia ao vizinho,
Receber, se tem fome, a comida e sempre o carinho
A coisa aqui é diferente, mexe com a gente
Poucas são as flores naturais
Aqui tem concreto demais...
Com o tempo vem o entendimento
De que nem tudo é de ferro e cimento.
As coisas que não se vê no primeiro e assustado olhar
Acabam por um novo mundo descortinar
É só não se desorientar na busca
Que, de repente, a vista acha a beleza
E acaba o espaço pra tristeza
E a alegria de conseguir vir, ver e vencer
Só é superada pelo compreender que São Paulo é chance de aprender
Com as maiores diferenças conviver
E por mais que você corra,
Seja no cafezinho que você mal prova
Seja no carinho que você não tem tempo de fazer
E muito menos de receber
Sempre haverá a chance de vencer o dragão
De mudar o sentimento de solidão.
Tanta beleza escondida, tanto mistério a decifrar
Que provavelmente nunca mais para seu torrão o viajante quererá voltar
Sampa te amo como tu és,
Fria, nublada, de concreto, cimento sob meus pés...
Mas acima de tudo te amo por que tu me das
A vontade e o desafio de te mudar,
Mesmo sabendo que é você quem irá me moldar.